“— Ei, Bruna, fala comigo!
Me responde. Por favor.
Por favor.
Fala comigo, caralho.
— E qual é a sua pergunta, caralho?
— Não tenho uma.
— Quer resposta de quê, então?
— Me perdoa.
— Isso foi uma ordem?
— Foi um pedido.
— Recusado.
— Por favor.
— Nem agora, nem daqui a mil anos. Nem aqui, nem em Marte. Entendeu?
— Por favor.
— Não adianta fazer essa cara, Lucas, a resposta não vai mudar.
— Nem meu amor por você. Ele não vai mudar. Não vai diminuir, e nem aumentar. Não vai embora, também, tenha certeza.
— Ah, o mesmo amor que era da Bia?
— Para com isso, com você é diferente.
— Agora você me deve uma resposta.
— Pergunte.
— Quantas vezes você disse isso para ela? Por favor, Lucas, vai. Vai, e nem volta.
— Não vou. Não vou até te provar o que sinto.
— Diz logo então.
— Está bem, eu não sou bom com palavras. Quem dera eu poder me expressar tão bem quanto Nando Reis, e fazer uma música linda que te conquiste outra vez. Nossa! Quem dera poder te conquistar outra vez. Seria a coisa mais perfeita do mundo, poder ver de novo seu sorriso, e saber que eu o causei. Não gosto de saber que te fiz sofrer, mas na verdade, eu não me arrependo. Tudo o que eu vivi com a Bia, só me provou que não existe nada comparado ao que eu sinto por você. Eu não sei o que é, mas meu coração me diz que é algo bem, bem, bem, bem maior que esse “amor” de publicações clichês no Facebook. É maior que esse carinho de amigo de cartões de aniversário, ou essas paixões do dia dos namorados. É maior do que tudo que você pode imaginar, e por esse sentimento, eu encontraria forças para carregar o Sol. Me faz bem, sentir isso. Faz eu me sentir vivo, e tinha muito tempo que não me sentia assim. “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você…” Eu tenho saudade, muita saudade, de quando a gente costumava contar tudo um para o outro. De quando a gente era amigo, a cima de tudo. Mas como sempre, eu arrumei um jeito de estragar tudo. E como nunca consigo, mas ainda tento arrumar agora um jeito de consertar as coisas. Você podia me ajudar, também.
— Hm.
— E então?
— Você citou Nando Reis. Foi jogo sujo.
— Você ama ele. Foi estratégia.
— Mas eu só amo porque foi você que me mostrou.
— Eu não sabia disso.
— Tem muita coisa que você não sabe.
— Leoni. Comecei a ouvir depois que você me disse que amava.
— Metallica. Não curtia muito, antes de você dizer que é fã.
— Red Hot Chili Peppers. Dizia que gostava, e aí você perguntava sobre músicas, integrantes da banda, shows e turnês… E eu tentava trocar de assunto, mas só o encanto ver você sorrindo e dizendo que achou finalmente alguém que gosta de tudo que você gosta, era bom demais para ser interrompido.
— Avenged Sevenfold.
— Ah, eu me lembro. Você odiava, e então chorou com uma música que te mostrei. Foi a primeira música que te fez chorar, e então você passou a amar.
— Acho que você é Avenged Sevenfold têm muita coisa em comum.
— Você ama até hoje.
— Eu disse muita coisa, não tudo em comum.
— Mas eu te amo até hoje.
— Entendi essa parte.
— Doritos. Eu odiava.
— Nutella. Você me fez amar.
— Senhor dos Aneis. Eca. Hoje, caralho, sou fã.
— Palavrões. Porra, antes eu não falava nada.
— Harry Potter! Achava ridículo.
— Futebol. Achava briguento demais.
— Filmes de comédia romântica.
— “Diário de uma paixão”. Você lembra?
— Se lembro? É meu filme preferido até hoje.
— Aquele dia foi legal…
— Muito.
— Jogos de RPG. São legais agora.
— Gartic! Eu achava complicado demais, aí eu te conheci, aí você me ensinou.
— E aí a gente que ficou complicado.
— Ficou?
— Pensando bem, eu acho que a gente era até simples. Você que preferiu a Bia.
— Não vamos falar dela, por favor.
— Me poupe, Lucas. Você chega aqui, me pedindo perdão, dizendo que me ama e que me quer de volta. Quer saber? Eu confesso, queria isso. Queria isso até o momento que sabia que não podia ter. Queria isso quando vocês estavam juntos. Mas Lucas, ela terminou com você. Você está só… Tentando substituir ela. Não é legal comigo, e nem com ela. Para de fazer esses joguinhos que só nos fazem lembrar…
— Eles te fazem querer me amar de novo?
— Essa a é questão. O grande problema. Eu ainda te amo! Você não vê isso?
— Me perdoa…
— Não assim. Não quero desse jeito. Não vai funcionar.
— Eu vou te contar.
— Contar o que?
— Porquê ela terminou comigo. Eu não disse a ninguém. E nem ela, foi um trato. Ela disse que via como eu te olhava, e sabia que eu te amava. Não queria continuar comigo assim. Ninguém nunca quer, acho que estou me acostumando com isso de “Eu quero, mas não assim”…
— Eu não sabia disso.
— Tem muita coisa que você não sabe.
— Você.
— O que tem eu?
— Antes eu odiava. Você me fez te amar.
— Como Avenged Sevenfold?
— Mais. Só me promete não me fazer mais chorar, Lucas. Por favor.
— Eu só quero o melhor para nós dois, Bruna.
— Que é…
— Nós dois.